terça-feira, fevereiro 27, 2007

Pelas marés


Hoje abri novamente a janela onde sempre me debruço
e escrevi: aqui está a imobilidade aquática do meu país,
o oceânico abismo com cheiro a cidades por sonhar.
invade-me a vontade de permanecer aqui, para sempre,
à janela, ou partir com as marés e jamais voltar...

releio o que escrevi há doze anos, neste mesmo lugar:
as canetas secaram, os lápis ficaram esquecidos não sei
onde. as borrachas já não apagam a melancolia das palavras.
a escrita que inventámos evadiu-se do corpo.
o vazio devora-nos. onde estivemos este tempo todo?
voltaremos a encontrar e a tocar nossos corpos?




Fotografia: Paulo Cesar

Texto: Al Berto, O Medo



1 comentário:

parole disse...

Parabéns! Tenho umas palavras de sabão para ti!