terça-feira, dezembro 23, 2008


Porque por estes dias será Natal, há coisas que
não se devem esconder.
O amor, a amizade, o carinho que nos une
e a vida que respiramos todos os dias!

A todos um NATAL MUITO FELIZ E UM ANO
DE 2009 RECHEADO DE BONS SONHOS!




domingo, dezembro 14, 2008

Consulta-se.
O homem, à luz do dicionário, cumpre-se como um exercício matemático. De palavras somadas, adjectivos subtraídos e desejos divididos em múltiplas interjeições.

A ele agradava-lhe esta leitura alfanumérica. Subtrai o remorso na hora de premir o gatilho.


(foto: Villagarcia de Arousa, 26.10.2008)

segunda-feira, outubro 27, 2008






Finis terrae. 25/10/2008
Há viagens com fim.
O Cabo Finisterra recebe-nos assim. Despido de artifícios, com o sol em debandada e os urros do mar. Há sensações difíceis de explicar. Quase como que um reencontro com tudo aquilo que vamos dissimulando no correr dos dias. Finge-se amar, inventa-se o ser amado, sorri-se a age-se pela circunstância. Tantas vezes nos esquecemos de nós, que o impacto atroz da eminência do fim causa estragos.

O extremo da península alberga o "fim do caminho" para peregrinos intempestivos. A mim soube-me a início. Povoado por lendas e crenças, mais ou menos mágicas, o Cabo Finisterra vive do confronto com a natureza, do horror primitivo da fúria das ondas, do renascer.

O vento cortante que atravessava o final de tarde, o percurso sinuoso e o cair da noite pareciam não convidar a uma visita ao extremo da península. O que será o fim do caminho para os peregrinos de Santiago mostrou-se como uma descoberta, quase que primordial. Há vida ali, num sítio apelidado de Costa da Morte. Não existem artifícios. Sol, terra, pedra dura, o desejo impresso no bater das ondas e duas mãos que se unem. De repente tudo o resto parece nada. A vida encontra-se aqui, precisamente no ponto de chegada.

Há movimentos que reaprendi ali, na vida que roubei ao fim do mundo. O rugido do mar nunca se esquece, a cor do sol continua a aquecer-me nestes dias de chuva. Há caminhadas que se fazem ao contrário. O fim preencheu-me com algo que terá mais a ver com a magia do início, do estremecer do primeiro toque.
Estranhamente, fui ao fim do mundo buscar aquilo que me foge todos os dias aqui, bem no centro do meu mundo e das minhas tão frágeis certezas.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Pedro e o lago


Os dias de sol regressam envoltos em mistério. Há sol, há vontade de viver. Passeio-me pelas ruas quentes e queria voltar a abraçar-te. Pareces-me cada vez mais distante. O sol aquece-me, deixo uma pequena fábula para partilhar com os raios imaginados a amarelo vivo ou, simplesmente, com uns quaisqueres dias de chuva trémula.

Pedro caiu a um belo lago. Era uma manhã de sol, ouviam-se os pássaros, perscrutavam-se suaves movimentos de Primavera. A beleza da paisagem parecia intocável, a noite caiu e Pedro ficou só. Chorou sem parar, ninguém parecia ouvi-lo. Com os pés enregelados, Pedro sentiu o aconchego dos nenúfares e a neblina da noite dissipou-se para o aquecer.
Com a chegada da manhã, surgiu um novo mundo, onde a solidão deu lugar à descoberta. Pedro percorreu o terreno que circundava o belo lago. As árvores erguiam-se sumptuosas, enquanto as flores ostentavam um manancial de cores ousado. Os pequenos animais viviam livres. Pedro era um bicho estranho, inadaptado à sua condição natural. Os pés resfriavam com o orvalho da manhã. Ao lado do canteiro de begónias, um sapato repousava abandonado. Pedro imaginou um aventureiro lendário, percorrendo os locais mais inóspitos, e que ali deixara uma bota numa correria apressada rumo ao desconhecido. Os dedos descobriram espaço no interior do calçado, o seu corpo sentiu o apelo do amparo. Andarilhou durante toda a manhã. Viu sapos, rãs, gaivotas de partida para o mar e andorinhas de regresso à Primavera.
A passagem do meio-dia sobreaqueceu o ambiente. Uma qualquer bacia abandonada ao largo da água foi o suficiente para Pedro regressar ao imaginário da cidade, onde os homens se moviam maquinalmente, ao ritmo dos chapéus que os coroavam. O pequeno homem do lago usava bota e chapéu em forma de coco, apresentava a civilização às coisas da Natureza. O lago tornou-se a sua casa, as flores o seu manto nocturno, os pequenos animais a sua longa e terna companhia. Passaram dias, anos, passou tempo demais. Pedro ergue-se como uma árvore situada na margem esquerda do lago. Uma espécie estranha, de raízes humanas e copa de cavalheiro escocês.

(foto em www
.drewsart.co.uk, Isolation Series, Empty - I have no more to give...)

sexta-feira, agosto 22, 2008

Na serra justa


A história recriada em Valongo. De 'vallis longus' às lutas liberais, sem esquecer o minério que derramou tanto sangue pela serra. Há música, trombetas, há uma história de amor (como sempre, aliás) e uma hora de espectáculo garantido.

Fica o convite*








28.08.2008




SERRA JUSTA


Autor: Júnior Sampaio











Sinopse








Assente na história de Valongo, este espectáculo desenvolve um conceito de dramaturgia com base em factos históricos, antropológicos e na riqueza etnográfica do Conselho, em torno da descoberta e povoação do vale, dos diversos povos que por aqui passaram e dos ricos minérios aqui existentes.








Observações








Espectáculo para todas as idades
Informações e aquisição prévia de bilhetes: 22 4211565 / 96 4751300
Bilhetes Aquisição Prévia
2€ ENTREtanto AMIGO
3.5€ Público Geral
Bilhetes Adquiridos no local do Espectáculo
3€ ENTREtanto AMIGO
5€ Público Geral

Organização: ENTREtanto TEATRO e Câmara Municipal de Valongo






Elenco








Hugo Sousa, Sandra Santos e Grupos de Teatro Amador do Conselho de Valongo e alunos dos cursos orientados pelo ENTREtanto TEATRO








Local








Parque de Santa Justa





Técnica








Produção









ENTREtanto TEATRO





Produção Executiva









Amélia Carrapito e Sofia Leal





Figurinos









José Rosa





Desenho de Luaz









Wilma Moutinho





Operador de Luz









Helder Simões





Música









Monolab





Assistência de Encenação









Hugo Sousa





Texto, Encenação e Espaço Cénico









Júnior Sampaio







Outras Datas












29.08.2008 21h45



Parque de Santa Justa













30.08.2008 21h45



Parque de santa justa













31.08.2008 21h45



Parque de santa Justa











segunda-feira, agosto 18, 2008

Roteiro precisa-se!!!






De regresso fica a recordação do mar, do som das gaivotas na noite, do zurzido do motor da traineira. Ficam para trás passos de dança, ondas de caracol, fica a noite, as nuvens. Ficas tu.

De volta à rotina numa cidade despida hoje prevalecem os sonhos. Numa rua nua do movimento que se exigiria à hora de almoço, observam-se uns quantos forasteiros e algumas almas desencontradas. Não serei nenhum deles, pelo menos hoje não me sinto como algo de semelhante. Vejo-me expectante. O sol tem este estranho efeito de aclarar os cabelos (re)pintados, mas de esclarecer pouca coisa. Fica os laivos de loiro inusitados, sobram questões mais negras.

Não acredito em fugas, mas sim em novas oportunidades. Que todos temos direito ao sonho, à reivindicação, ao amor e à vida. Sentada numa esplanada à hora de almoço reflecte-se e contesta-se muita coisa. Fazem-se previsões, apontam-se caminhos. Há tanta coisa que poderia ter sido.

Hoje foi só o sol que me aqueceu o corpo. Surge-me tantas vezes o desejo da fuga, da partida. Custa-me tanto o dizer adeus.

Das férias regressa-se sempre, na vida muitas vezes passamos sem lhe sentir o cheiro. Exigem-se roteiros para viver!

P.S.: Fica a ilha da Berlenga para acompanhar

sábado, agosto 16, 2008

Rasga-me o coração descer aquelas montanhas…quem me dera não ter que partir…nunca.
Via por cima do nevoeiro os fantasmas a escorrerem pelas encostas húmidas da serra. O som de quem não se coíbe do eterno silêncio da madrugada e os passos longos calmos a lançar na estrada são de penugem e em pouco tempo se separa o mundo…depois da curva só há montes. Rodo em mim. Apenas eu e o resto do mundo que ali se veio perder. Se eu pudesse não escolher era assim que ficaria, numa estátua seca, imune a mim sempre com o olhar fixo nos eternos socalcos construídos ao acaso, perfeitos de tão expostos. Fica o sabor na boca do cheiro folhas, da carqueja, do rio, da água, das nascentes. Fica-me na pele os beijos das crianças, nas mãos as danças, na carne o sangue de viver. Fica-me a gritar o riso de quando era pequenina. Fica-me a honestidade das gentes e os abraços apertados e quentes da fraternidade.
Rumo ao porto…perdida dentro de mim a chorar como uma criança gritando que quero voltar. Quem me dera não ter que partir. Nunca mais ter que abandonar este sitio que nos escolheu.


(TOPO GIGIO) A la camita.

Saudades...
anamartafortuna

sábado, agosto 02, 2008

"- É ele que me vai levar até às florestas do Norte onde me espera o meu povo.
É longe, muito longe. Vamos voar durante longos dias. Temos de atravessar a Espanha, a França, a Alsácia eo mar. Chegou o momento de nos despedirmos."


Sophia de Mello Breyner Andresen, a floresta
Ilustração de Rebecca Dautremer

sexta-feira, julho 25, 2008



Há palavras que nos prendem.
No mundo há verdades que só se encontram assim. Numa cidade, em plena luz do dia e sobre uma parede opaca.

terça-feira, julho 22, 2008





LYRIC
Fotografia de Connie Imboden

domingo, julho 20, 2008

"Sabe-me bem que existas..."

Por vezes é tão fácil fazer sorrir uma mulher.

sábado, julho 19, 2008





Fotografia Simon Clarke

quinta-feira, julho 17, 2008

MICHAËL BORREMANS - (Various ways of avoiding visual contact with the outside world using yellow isolating tape)
E não há mesmo nada pior no Mundo do que esta patologia do não querer ver.

quarta-feira, julho 16, 2008

Léo Ferré chantant les poètes

"É a casa do mundo:
desaparece em seguida" Luísa N Jorge

anamartafortuna

Porque sou mulher


O dia estava quente. Um calor omnipresente, sufocante, não havia gota de suor que não transportasse um travo de choro. Eram lágrimas talvez...nunca se confirmou. Ela descia a rua apertada com o desejo na face. Não é fácil viver na eminência de um qualquer desastre. Ela sabia que os saltos não ajudavam ao caminho, que o sol não vestia réstia de esperança. Só ela, o calor atroz, a vontade de chegar e um monte de pequenas histórias que resumiam uma existência quase insignificante. Só isso é quase tudo num dia assim.

A inconsistência das histórias passa precisamente pelas versões. Onde há versões há gente. Onde passa o homem, há pó, há sangue, haverá sempre feridas em aberto.

P.S.: De regresso mas sempre por perto

Aqui fica o convite para quem quiser vir ao nosso encontro:)

terça-feira, julho 15, 2008

Hoje ao sair do trabalho, mais uma vez esqueci-me do lugar onde tinha estacionado o carro. No caminho errado vejo um rapaz de pouco mais de 30 anos, muito engraçadinho (do tipo de exemplar que eu gosto de olhar) com um sorriso largo e um olhar brilhante. Olhamo-nos desde o início da rua. Quando passei por ele, disse-me num piropo gentil: Agora tenho a certeza de que vou ser muito feliz no Porto. Apercebi-me logo que tinha deixado o carro no caminho inverso ao que seguia, mas não querendo dar parte de fraca continuei e dei uma volta monstruosa só para poder ir para o meu boguinhas.
Diverte-me a capacidade de os homens acreditam em tudo o que as mulheres representam e na intensa idealização destas apenas pelo aspecto exterior.
Diverte-me mesmo muito!

Pintura de Gustav klimt

quinta-feira, julho 10, 2008

Estou cansada de procurar dentro de mim o tempo que ainda falta para viver.


Fotografia de Paul Strand

terça-feira, julho 08, 2008

Nevoeiro

A cidade caía
casa a casa
do céu sobre as colinas,
construída de cima para baixo
por chuvas e neblinas,encontrava
a outra cidade que subia
do chão com o luar
das janelas acesas
e no ar
o choque as destruía
silenciosamente,de modo que se via
apenas a cidade inexistente.


Fotografia de Mário Bruno Pastor
Carlos de Oliveira, Nevoeiro