quarta-feira, agosto 29, 2007
(De)mais fragmentos
O encontro com o Parc Güell, com a vista sobre a cidade deitada, numa espécie de sonho para dias perdidos.
terça-feira, agosto 28, 2007
Mais fragmentos
Mais uma performance de rua. Pessoas entre o vestido vermelho e a veemência de quem desliza movido pelos sons.
segunda-feira, agosto 27, 2007
Barcelona em 5 dias
No primeiro dia após as férias sabe bem reviver outras paragens.
Barcelona mostra-se em imagens e nos sentimentos que desperta. Pelas pessoas, pelo colosso e pelo acento italiano em todas as esquinas, Barcelona mostra-se através da objectiva de quem se perdeu entre o turbilhão humano e o apelo onírico de uma cidade que respira uma magia especial. Ficam os desvarios de Gaudí e os gestos de uma cidade entregue à vida.
Prometem-se outros relatos (à mesa de uma confeitaria em La Pau) para os próximos dias.
domingo, agosto 12, 2007
Centenário do nascimento de Miguel Torga
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga é o nome literário de Adolfo Rocha, nascido em S. Martinho de Anta a 12 de Agosto do ano de 1907.
A revelação que vale mesmo a pena
Cristina Castro – voz, acordeão, percussões.
Ricardo Coelho – sopros, gaita-de-foles galega e transmontana, gralha, percussões.
Hélio Ribeiro – guitarra, bandolim, voz e percussões.
Adérito Pinto – baixo e percussões.
Tiago Soares – bateria tradicional, adufe, tar, bilha, sansula, darbuka, percussões variadas.
Telf: 962 568 471
Email: contacto@penaterra.com
sexta-feira, agosto 10, 2007
domingo, julho 29, 2007
"...E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis
À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras,
o nosso dever falar."
Ao longo da muralha
quarta-feira, julho 18, 2007
sábado, julho 14, 2007
Rabih e Ricardo

Há surpresa. Pela forma como me arrepiei ontem com aquela voz, com a entrega de Jarrod Cagwin, com as reverberações do alaúde de Rabih. Sorri mais do que seria de esperar, assustei-me e gostei. Entreguei-me e soube bem. À surpresa juntaram-se porventura os copos à hora do lanche, os cigarros deixados pelo caminho e aquela amargura de teres regressado novamente.
Voltas sempre quando a tua figura parece diluída. Eras recordações, nada mais. Ontem voltaste a ser o olhar fugidio, hoje o discurso desconexo. Tudo tão teu, por vezes tão nosso.
Foste ver o mar, eu devo ir agora apanhar o pôr-do-sol...ao rio.
quarta-feira, julho 11, 2007
Rascunho
O instantâneo assemelha-se ao rascunho. O molde eficaz, o imediatismo, a facilidade das soluções... Mas, tal como o rascunho, não passa de um projecto imediato na busca de melhores dias.
Hoje olho para mim e vejo um rascunho, um amontoado de projectos em lista de espera. As viagens que não fiz, todos aqueles que não amei, o que deveria ter sido nos dias que nunca aconteceram. As indefinições são perfeitas para quem tem certezas, trágicas para aqueles que esperam.
O sol podia ser uma boa desculpa para ser feliz, não fosse a ameaça dos dias de chuva. As estações sempre empacotaram bem o mundo. Há dias de praia, o refúgio da lareira, as folhas presas na relva, as flores que brotam da terra. Quando os dias de praia não chegam e as ameixoeiras dão fruto em Fevereiro há esperança. O desejo de escapar aos determinismos, a vontade de deixar para trás o que já não nos preenche sem que a solidão nos aprisione. Às vezes presa, outras livre demais para pensar no que já foi, a vida surge. Há dias em que apetece abraçá-la, outros em que só dois braços fariam a diferença.
Vou para casa com as mesmas certezas com que de lá sai esta manhã. Que a vida está cheia de paragens até ao destino final.
terça-feira, junho 19, 2007
Em todos os tempos as mesmas vontades
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
Para não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só
Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Estou além
António Variações
segunda-feira, junho 04, 2007
Urgências
Hoje não.
Deixei de sentir...
Dói só...só dor e a vontade de chorar.
Depois de tantos dias a desejar o sol hoje sinto-me crua, abandonada, sozinha.
Quero voltar a sonhar, urgentemente!
"Ho sognato che mi dicevi che eri triste", disse-me há pouco alguém a quilómetros de distância. É bom saber que sonhaste comigo, que me sentiste para lá da terra e do mar que nos separam. Soube bem!
Grazie Erasmo
Quando o que está mais perto não nos preenche, é bom saber que há gente lá fora. É o que me alimenta.
sábado, junho 02, 2007
Um dia apaixonei-me!Tenho a certeza disso...quantas vezes tenho 13 anos e quero ir buscar esse amor ao fundo da caixa dos chapéus...Há uns meses soube que casou, choveu dentro do meu peito uma semana inteira. Eu tinha um guarda-chuva cheio de florzinhas, com que o abrigava quando chovia, naqueles sábados em que viajávamos juntos. Falávamos de coisas que já não lembro, mas sei que ria, ria muito.Hoje não rio, nem ando de guarda-chuva; nunca mais gostei de me proteger debaixo daqueles estúpidos aros metálicos. A verdade é que nunca mais fizeram o céu com florzinhas. Também nunca mais gostei de chuva.
Há no ser Humano um terrível sentido de adaptabilidade…se não fosse adaptável queria abrigar-te debaixo de um céu ás flores e dizer que os sábados sempre foram os mesmos e que à distância dos meus treze anos me tornei uma pessoa diferente; e quanto mais me distanciava do que era, percebi que perdia a capacidade para amar.
A adolescência é estranha…raramente se recupera dela, quando o ser “Eu” é um estado patológico desde a nascença.
Sim…eu um dia apaixonei-me!
Fotografia de Rosalina Afonso
quarta-feira, maio 23, 2007
19.55
Começou a chover. Passa das sete e meia num dia morno. Caloroso quando me abraçaste com o teu gesto dúbio, cheio de incertezas.
Muitos são os dias em que penso em mim, em jeito de exercício narcisístico. Penso em mim, nos 24 anos que já passaram, nos outros a chegar, mas foi semana passada, no pendular entre Lisboa e Porto, que percebi que a emoção que me falta advém daquilo que nunca projectei. Entre Fátima e Aveiro compreendi que quero a vida sem regras, sem horários, se possível sem os outros. Sinto-me bem sentada sozinha num comboio, o ideal era um destino desconhecido. O ideal era o deserto, o rasto de desolação e nada mais. Queria ver o mundo do mesmo modo que continuo a gostar de te ver. Já te desejei assim, como agora grito pelo mundo. Ferozmente.



















