quarta-feira, maio 02, 2007
















"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos"
Eugénio de Andrade

As férias na aldeia trazem sempre um sabor amargo no coração; fazem acreditar que o mundo é como aquele pedaço de céu, plantado por mãos humildes. Como se por momentos o mundo fosse um lugar amável para se poder viver; sem medos, sem sombra, sem quedas. Apenas o silêncio!Somente o silêncio, tão cheio de amor de todas as gentes.

quinta-feira, abril 19, 2007

segunda-feira, abril 16, 2007


Muito boa...ideal para o 8 de junho de 2007!!
hhihihi
postado por anamarta fortuna

quinta-feira, abril 12, 2007

Quando eu nasci a minha irmã tinha dez anos. Hoje a minha mãe contou que a primeira vez que a mana Margarida ouviu o meu coração bateu deu pulos de alegria e gritava: A minha maninha, a minha maninha!
Como era bom poder ouvir-te gritar outra vez, mesmo agora, fora de um meio seguro
.
Fotografia de Raimundo Alexandre Fortuna
Postado por Ana Marta Fortuna





Michael Ging

O segredo da imagem interior

Ana Marta Fortuna


segunda-feira, abril 02, 2007

A importância das palavras face a um conteúdo

Era importante dizer alguma coisa.
Tenho preguiça.
Tenho um conteúdo inoperante.

Um cansaço inoportuno
Um teatro sem assunto.

Que se foda...o actor é apenas atravessado pelas palavras.

o homem trespassado pelas palavras.

e nada chega para encher o frio de quatro paredes.


Ana Marta Fortuna

    terça-feira, março 20, 2007

    Tardes de Coimbra











    Em jeito de recordação aqui ficam as imagens de uma breve passagem por Coimbra. Longe da Sé Velha ou da fachada Faculdade de Direito sobrevivem as imagens de uma artéria central movida pela gente. Por quem passa, pelos que olham de frente, pelos outros que auscultam de relance e pelos dois com quem partilhei o fino.

    terça-feira, março 13, 2007
























    Dorme meu menino a estrela d'alva
    Já a procurei e não a vi
    Se ela nao vier de madrugada
    Outra que eu souber será pra ti.

    Outra que eu souber na noite escura
    Sobre o teu sorriso de encantar
    Ouvirás cantando nas alturas
    Trovas e cantigas de embalar.

    Trovas e cantigas muito belas
    Afina a garganta meu cantor
    Quando a luz se apaga nas janelas
    Perde a estrela d'alva o seu fulgor.

    Perde a estrela d'alva pequenina
    Se outra não vier para a render
    Dorme quinda à noite é uma menina
    Deixa-a vir também adormecer.

    Zeca Afonso
    postado por Ana Marta Fortuna






    segunda-feira, março 12, 2007

    Estrela da Tarde




    Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
    Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
    Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
    Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

    Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
    E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
    Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
    Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
    Meu amor, meu amor
    Minha estrela da tarde
    Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
    Meu amor, meu amor
    Eu não tenho a certeza
    e tu és a alegria ou se és a tristeza
    Meu amor, meu amor
    Eu não tenho a certeza
    Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
    Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
    Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
    E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
    Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
    Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
    Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
    E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

    Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
    É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
    Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
    Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
    Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
    José Carlos Ary dos Santos
    Fotografia de Morfosis
    Postado por Ana Marta Fortuna

    domingo, março 11, 2007

    Quando era criança a primavera chegava assim...no cheiro!
    Sentia o cheiro das flores logo pela manhã, a pele parecia mentol e o sol demorava-se pelas tardes. Escutavamos o cantar dos grilos a entrar pela janela do quarto, o vento morno a cobrir as brincadeiras e o céu azul a estender-se pelo horizonte, quando nos deitávamos com as costas na relva.
    As flores eram as primeiras a ser notadas...muitas...até se perder de vista. Depois chegavam as joaninhas, com as suas capas vermelhas de bolinhas negras a percorrer os dedos para depois fugir, voando sem destino.
    Realizavamos autênticas maratonas de bicicleta até ao rio, esquecendo sempre que o caminho de volta tinha que ser feito.
    A mãe deixava-me andar descalça na relva, na terra, nas pedras quentes da eira...molhavamos os pés quando ela regava o jardim e corríamos atrás das borboletas que nasciam de um dia para o outro, tal como a Primavera.

    Na sexta-feira ela chegou assim...não havia a eira, a mãe, os pés molhados, as costas deitadas na relva, mas ela chegou assim! Eu não sou criança mas a Primavera chegou.
    Acordei para ir trabalhar, ouvi uma chefe recém licenciada na sua total ignorância, pequenina em sensatez proferir aguçadamente palavras de descontentamento, vi um homem chorar e uma colega a manifestar os seus dotes de comunicação. Vi um mundo que não cabia na minha infância e senti um coração pequenino na primavera que chegava.
    Mas...
    Veio a tarde...o rio outra vez...amava na Primavera. Talvez a primeira vez!
    Veio o sábado e a praia...a alegria de partilhar a Primavera e de molhar os pés na areia e fazer palhaçadas.
    Veio o Domingo...a mãe...o pai...as mãos da mãe...o amor da minha mãe...o braço forte do meu pai a segurar-me as quedas (já não tão forte agora)...as flores sem fim, a relva nas costas e o céu azul como única imagem.
    Amanhã, independentemente de tudo, o "sol estará em cada sílaba"...E EU VOU AMAR...simplesmente porque mereço! Porque não sei como virá o futuro e o presente é o único tempo que tenho para viver e para amar, sem ter que me sentir culpada por isso!


    Ana Marta Fortuna
    Fotografia de Petrova

    domingo, março 04, 2007


    Uma viajem colorida
    depois de tanto tempo sem férias.
    A ideia de um futuro diferente
    a força de uma vontade em querer marcar a diferença.
    Um amor que não se concretiza.
    Um outro que apenas se idealiza.
    Livros para ler, desenhos para colorir, mapas para se percorrer, gentes por conhecer.
    Há fins que trazem a profunda certeza de que o início deve ser diferente.
    Um caminho novo se impõe...
    Uma procura! A verdadeira esperança!
    A vontade...por agora apenas ela e tudo mais vem por acréscimo.


    Ana Marta Fortuna

    fotografia de malkievicz

    quarta-feira, fevereiro 28, 2007

    Está-se bem


    Pelos bons momentos e pela conquista.

    terça-feira, fevereiro 27, 2007

    Pelas marés


    Hoje abri novamente a janela onde sempre me debruço
    e escrevi: aqui está a imobilidade aquática do meu país,
    o oceânico abismo com cheiro a cidades por sonhar.
    invade-me a vontade de permanecer aqui, para sempre,
    à janela, ou partir com as marés e jamais voltar...

    releio o que escrevi há doze anos, neste mesmo lugar:
    as canetas secaram, os lápis ficaram esquecidos não sei
    onde. as borrachas já não apagam a melancolia das palavras.
    a escrita que inventámos evadiu-se do corpo.
    o vazio devora-nos. onde estivemos este tempo todo?
    voltaremos a encontrar e a tocar nossos corpos?




    Fotografia: Paulo Cesar

    Texto: Al Berto, O Medo



    sábado, fevereiro 24, 2007

    desamparada queda

    Virá o dia
    em que também nós
    da torre de vidro
    para o vazio saltaremos.
    Em desamparada queda
    estamos já.
    Entre o salto
    e a derradeira palavra,
    lembrar-nos-emos
    de uma nuvem ou de um madrigal.
    De que nos serve
    o brilho ínsito
    em rápidos vidros durante a queda?

    Turvamos águas.
    Nada mais.

    Fotogragia: Artur K.
    Texto: Luís Quintais (angst)
    Ana Marta Fortuna

    terça-feira, fevereiro 13, 2007

    Quando a procissão passa...

    Rever a procissão fez-me recuar no tempo. As meninas das fitinhas são outras, há sorrisos abertos, há quem se esconda dos olhares, há quem se mostre à multidão. Hoje elas, ontem eu.
    É estranho como um domingo de Fevereiro, aparentemente desinteressante, incómodo e chuvoso, me trouxe de volta à infância. Assim, sem contar rever os brilhos do vestido da Primeira Comunhão, os cachos que me pendiam do cabelo, os passos de bailado com que passeava pela procissão, reencontrei. Não a mim. Só aquele desejo de viver, de sorrir, de seguir com a multidão, de ouvir a explosão dos foguetes. De sentir.
    A procissão passou, a chuva fica e o incómodo também. O deslumbre seguiu com a fanfarra. Ficam as certezas que me movem. Hoje mais erradas que sempre. Fica a perda de tudo o que poderia ter sido, fica o medo de que nunca venha a ser. Fica a angústia e o amargo na boca pelas verdades que passaram e pelas mentiras que foram permanecendo.

    O encanto dos olhos da Jéssica, que me sorriu, fez-me lembrar o brilho dos dias em que os sonhos eram mais que promessas vãs. Hoje muitos dos sonhos partiram, ficaram só certezas abruptas. As mesmas certezas que minam todo o percurso para o que deveria ser. Fica o que é, fica a chuva, o frio. Lá longe, só o foguetório. Há gente que ama, sorri, desespera, sofre. No domingo não fui mais que aquela que ficou para trás, bem longe da fanfarra e dos foguetes. Só.

    segunda-feira, fevereiro 12, 2007

    Passam tão rápido as coisas lá fora.
    Tão depressa que as não posso sentir.
    Passam tão rápido as coisas lá fora. Tão rápido.
    Chove há mais de um ano no meu colo de marfim.
    Há mais de um ano que estou abrigada da chuva menos o meu colo,
    que começa a apodrecer
    porque chove à mais de um ano no meu colo de marfim.
    Aperto contra o meu colo um mar
    que não vejo desde que nasci.
    Esse mar que tem um ano, que aperto contra o colo de marfim.
    A verdade é que tenho pouco mais do que um ano de vida ou de mar.
    Desde esse tempo
    cravei fundo as unhas
    para apertar as coisas contra o meu colo de marfim
    que tenho há pouco mais do que um ano.
    Choveu a vida inteira
    dentro de mim.
    Chove todos os dias
    dentro de mim
    um vida incompleta.
    Não sei se é água do mar
    ou se a água das lágrimas do colo de marfim.
    Dói porque é tão pequenino o colo,
    nunca conheceu nada a não ser chuva e a força do mar apertado contra ele.
    Tão pequenino e já tão podre.
    Tão podre e já tão esquecido.
    Se as coisas não corressem tão rápido
    talvez ainda hoje fosse ontem
    talvez o ontem fosse pouco mais de um ano para trás
    e parasse de chover
    para que o meu colo de marfim
    acabado de nascer
    pudesse arranjar um sitio para se abrigar da chuva.

    Ana Marta Fortuna
    Fotografia de Jeff Hahn

    sexta-feira, fevereiro 09, 2007

    Um beijinho de boa noite

    Curiosidades

    A propósito do referendo, fica aqui mais uma curiosidade sobre a igreja católica, que muito me apraz divulgar...

    17/3/1487 – O Rei D. João II, perdoou e pôs em liberdade, Fernando da Costa, Prior de Trancoso , por ter tido relações sexuais com 54 concubinas, das quais teve 275 filhos (200 filhas e 75 filhos): de 29 afilhadas teve 97 filhas e 37 filhos; de 9 comadres teve 38 filhas e 18 filhos, de 7 amas teve 29 filhas e 5 filhos, de 2 escravas teve 21 filhas e 7 filhos; de uma tia teve 3 filhos; de 5 irmãs teve 15 filhas e 3 filhos; e da própria mãe teve 2 filhos. A sentença está arquivada na «Torre do Tombo» (ano de 1487, maço n.º 7, armário n.º 5).


    Dia 11 de Fevereiro vota SIM
    Ana Marta Fortuna

    quarta-feira, fevereiro 07, 2007

    Flash Mob pelo Sim

    http://www.blocomotiva.net/
    O contraste evidente entre manifestações serenas e alegações desesperadas como as de Júlio Castro Caldas no programa Prós e contras.


    Dia 11 de Fevereiro vota SIM


    Ana Marta Fortuna

    sexta-feira, fevereiro 02, 2007

    E o diabo fala espanhol...

    Lúcifer, Belzebu, Asmodeu, Azazel, Cadreel, Mastema, Mefistófeles, Satã ou Sier são meras designações para aquele ser enigmático....o Diabo.

    Se, nestes casos, o 666 é o número do Demo então o mistério foi hoje finalmente desvendado...o diabo fala espanhol...chama-se José Ramón Casteló, trabalha no ramo das lentes de contacto e nasceu a 6/6/66....às 6 horas!!!!!!!!!!!!

    Para não restarem quaisqueres dúvidas aqui fica outro dado de interesse...é responsável ibérico de uma empresa de lentes de contacto que causou um grave problema ocular a mais de 100 pessoas em todo o mundo, sendo que algumas ficaram mesmo cegas. A empresa chama-se Bausch& Lomb, o que deve dizer muito pouco ao simples mortal...mas parece dizer muito ao DEMO!

    Aqui