segunda-feira, março 24, 2008

Nem sempre se deve desconfiar das pessoas graves, aquelas que caminham com o pescoço inclinado para baixo,os olhos delas a tocar pela primeira vez o caminho que os pés confirmarão depois.
Às vezes elas vêem o céu do outro lado do caminho que é o que lhes fica por baixo dos pés e por isso do outro lado do mundo.
O outro lado do mundo das pessoas graves parece portanto um sítio longe dos pés e mais longe ainda das mãos que também caem nos dias em que o ar pode ser mais pesado e os ossos se enchem de uma substância morna que não se sabe bem o que é. Na gravidade dos pés e da cabeça, e também dos olhos, com que nos são alheias quando as olhamos de frente rumo ao lado útil do caminho que escolhemos, essas pessoas arrastam uma nuvem prateada que a cada passo larga uma imagem daquilo que foram ou das pessoas que amaram.
Essas imagens podem desaparecer para sempre se forem pisadas quando caem no chão. A gravidade dos pés e da cabeça, e também dos olhos, destas pessoas, é, por isso, uma subtil forma de cuidado.

In “A Nuvem Prateada das Pessoas Graves”
Rui Costa

Imagem de Robert & Shana ParkeHarrison

A quoi ça sert l'amour?

Para Sorrir

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos magoa,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda

segunda-feira, março 17, 2008

domingo, março 16, 2008

Se


Se tanto me dói que as coisas passem. É porque
cada instante em mim foi vivo.
Na luta por um bem definitivo.
Em que as coisas se eternizassem.
Sophia de Mello Breyner
fotografia SaintSazzle

sábado, março 15, 2008

Chamara-me de um longe lugar…tão longe que eu nunca ouvira falar…tão longe que eu não reconheci as palavras. Com a força do tempo as palavras ficaram claras e a distância perdeu a voz. Levou-me pela mão a ver o mar num Inverno cheio de Sol.
Um dia soprou um vento muito forte…vento do norte, eu deixei de lhe ver as mãos e tudo ficou longe e irreconhecível como era no princípio.
Nunca mais vou saber reconhecer outras mãos!

fotografia Zemotion




quinta-feira, março 13, 2008


Vai decorrer no Ateneu Comercial do Porto um workshop de fotografia com a duração aproximada de 50 horas em horário pós laboral e com o custo de €65 na totalidade.
Pedro Ferreira será o formador de um programa onde se pretende abordar técnica e
prática da fotografia mas também um pouco de história e conceitos.
O inicio está previsto para 1 de Abril
As inscrições estão abertas para: geral@ateneucomercialporto.ptou 22335410/2
Mais informações podem ser obtidas, brevemente,

quarta-feira, março 05, 2008

Feliz Aniversário

Hoje alguém nasceu...

Morrerão muitos sorrisos antes de poderem nascer.



Imagem de Luise Andersen

quinta-feira, fevereiro 28, 2008


"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa"

Sophia de Mello Breyner Andresen
Fotografia Valkirye

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Feist How my Heart Behaves

"emprestado" por palavrasdesabão.blogspot.com



O meu pai tem 64 anos, está casado com a minha mãe, já nem eu sei desde quando.

Hoje quando acordei olhei pela janela e vi o meu pai a remexer no jardim, de cócoras, a andar de um lado para o outro, pensei que seria mais uma das mudanças radicais que em breve tomaria a cabo.

De repente entra em casa com um pequeno ramo de violetas, com folhinhas verdes a envolver as flores que cuidadosamente amarrou com um fio e deixou num frasquinho no quarto deles. Quando voltou do quarto, sem eu lhe perguntar nada disse-me baixinho: " São para a minha namorada e hoje vou ter direito a um beijinho".

Vou chorar até o amanhar chegar, chorar todos os dias, chorar até que o tempo se esqueça que eu tenho que chorar.

Ilustração de Rébecca Dautremer


terça-feira, fevereiro 12, 2008

Lamb-Gabriel

Sim...é coisa de rapariga, mas lembro-me de um amor que nasceu assim.Foi tão bonito vê-las!Eu acreditei outra vez.anamartafortuna

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

"Humanocomique"





O mundo que se refaz em encontros fortuitos.


(Fotos: René Maltête)

Algemas


Há projectos que nascem com o prazo de validade já expirado. Não deixam de alimentar os dias mais solitários, mas tornam-se meras companhias sem nunca serem verdadeiros companheiros de viagem.Trespassando as amarguras do que poderia ter sido e de tudo aquilo que já foi e nunca mais voltará a ser, há viagens que merecem ser feitas e um monte de projectos que têm, pelo menos, o direito de habitar o imaginário de noites perdidas.

Há dias falaram-me do medo. Do terror de ser deixado, de ficar para trás com sonhos por cumprir. Há o medo de perder e também um outro. Vencer, de facto. Assusta pensar que somos capazes de ultrapassar o aconchego inóspito das noites e viver. O medo refreia as emoções. O medo faz-me sentir saudades tuas todas as noites e ceifa-me, de forma abrupta e impiedosa, qualquer vontade.

O dia acordou solarengo, à laia de uma ligeira dor de cabeça. Haverá feridas que perduram, sonhos que o deixam de ser. Fica o sol e, em dias de calor, surge o desejo de ter o mundo. E há mundos que nunca se alcançam quando se permanece algemado a uma secretária.

(Autor da foto: Pedro Moreira @olhares)

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Feist 1 2 3 4

Para dias de festa...por Mariana Santos

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Bjork Anchor Song live

A ponte

Desligo a luz, vejo a minha imagem no espelho desaparecer no meio da solidão escura que anoitece os meus dias. Vejo-me uma última vez antes de me olhar novamente para o mesmo espelho numa torturante sucessão de dias e noites que não distingo.
Atravessei a cidade do Porto na única ponte que me fecha o passado com tecidos transparentes…Sozinha. Já não havia imagens deste tempo, não poderia sequer ter existido alguma imagem dentro de mim para além dessas, dentro das minhas mãos, dentro dos meus olhos.
Guardo a exaustão no coração e no corpo transpiro lágrimas que me arrefecem as noites.
Arrasto-me por dentro…por dentro das imagens, por dentro da noite que não amanhece, por dentro das palavras que não tenho, por dentro das respostas que não oiço. Por dentro!
Por dentro morro com a cidade que vai ficando atrás de mim com as cortinas transparentes a assombrar o meu caminho.
Faz frio dentro das minhas mãos, no sangue que corre nas veias e vai chegando frio aos olhos.
Vou triste em frente do asfalto da única ponte que me fecha o passado com tecidos transparentes…triste. E ninguém me vem esperar com honestidade do outro lado. Ninguém me vem salvar da mentira, nem ninguém me tirará o peso das respostas que não oiço. Dói alguma coisa dentro de mim, não é um órgão, um membro, nem uma parte do corpo, dói-me em todo o lado onde se lembra. Toda a parte que se lembra dói-me como a solidão da morte.
Abro a cama…fecho os olhos e durante muito tempo antes de os fechar vai sempre chover por dentro dos meus olhos e eu não me vou querer lembrar porque. Apenas da imagem da cidade a ficar atrás de mim com os seus tecidos transparentes na única ponte que me fecha o passado com uma fronteira que não existe.

Morreu Luís Ralha

Tenho-me assim perto do céu, presa por 10 balões coloridos, tão longe do mundo, tão longe de mim.

Pintura de Luís Ralha gentilmente "emprestada"no blog limpa-vias.blogspot.com

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus
Eugénio de Andrade
Fotografia de blowup

terça-feira, janeiro 08, 2008

domingo, janeiro 06, 2008

Em toda a cidade que dorme e respira, eu luto com a dispneia e escrevo. Em toda a cidade que repousa e se esquece, na Avenida dos Combatentes eu debato-me contra a morte e escrevo diante da minha pequena tribo que dorme. A tribo dorme: a Lina mostra um punho fechado (ideias avançadas terá a mocinha?); o rapaz está de costas e quase destapado (parece um Cupido cansado; na larga queixada, porém, uma expressão terrena, máscula - a cara camponesa e rude do avô Matias); o bebé ressona ou balbucia qualquer uma esperança que só ele entende. Ela, a Irene, a minha pequena deusa de tranças loiras, encosta-se a mim e calada cálida repousa cansada. Sou um deus grego ! Fauno serôdio, Pan sem flauta, Orfeu decaído de quantas desilusões e frios cinismos, um Vulcano cornudo às ordens de Vocências, do meu espaldar senhorial contemplo o rebanho provisório que inventei, patriarca e profeta do meu próprio futuro. E receio, oh como receio, que os deuses a valer me castiguem! E desejo, oh como desejo, que chegue a manhã e eu esteja respirando ainda pelos foles dos pulmões que o enfizema vai dilatando minguando a elasticidade; que o meu coração eia! sus! bata ainda quando, num quintal que não sei, perto, o galo canta.

Comunidade de luiz Pacheco

Morreu a 5 de Janeiro de 2008
"A verdade, meu amor, é que é mentira.
É mentira a saudade que não sinto, a lágrima que não choro. É mentira o querer não ter-te onde nunca vais deixar de estar. É mentira. E essa é que é a verdade"

Fotografia de Pedro Ferreira (anarquistaduvall on deviantART)
Texto de Pedro Chagas Freitas In jornal "Notícias de Guimarães" de 21 de Dezembro de 2007

sexta-feira, dezembro 28, 2007

O abandono canta baixinho uma estranha luz, que se enteabre nas entranhas de uma esperança aniquilada.
Ficas só...sozinho no único lugar onde nunca desejaste estar.

fotografia de Pascal Pronnier

quarta-feira, dezembro 19, 2007

A escola no centro do debate


Numa altura de festa e projectos renovados, deixo aqui um projecto para o país.

quinta-feira, novembro 29, 2007



Este Blogue está em greve

quinta-feira, novembro 22, 2007

Deixarei os jardins a brilhar com os seus olhos

Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais.
Deixarei as constelações panorâmicas destes dias internos.

Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas.E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.

Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados.
É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.

Cada dia é um abismo atómico.
E o leite faz-se tenro durante
os eclipses.
Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne,
asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,esta rede de jardins diante dos incêndios.
E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.

Herberto Helder

terça-feira, novembro 20, 2007


Em dias de chuva...apresenta-se a solidão. No filme ela também se exibe nos trejeitos de quem não quis perceber que se os pingos de chuva trémula não podem ser simples, os homens também não. Em homenagem à simplicidade fica a solidão.

In fear every day,m every evening,
He calls her aloud from above,
Carefully watched for a reason,
Painstaking devotion and love,
Surrendered to self preservation,
From others who care for themselves.
A blindness that touches perfection,
But hurts just like anything else.

Isolation, isolation, isolation.

Mother I tried please believe me,
I'm doing the best that I can.
I'm ashamed of the things I've been put through,
I'm ashamed of the person I am.

Isolation, isolation, isolation.

But if you could just see the beauty,
These things I could never describe,
These pleasures a wayward distraction,
This is my one lucky prize.

Isolation, isolation, isolation, isolation, isolation.

(Joy Division, Closer)

quinta-feira, novembro 15, 2007

O Choro

Chega um homem de longe, de um outro tempo, de um passado distante. Não diz uma única palavra, fica parado a olhar o vento, parado de cabeça erguida a olhar o vento...parado! Os outros olham-no curiosos, riem, encolhem os ombros; os outros que não ele, riem do que não conseguem ver. Ele...o homem do vento chora...chora muito, tanto que se torna invisível, tanto que não se torna ninguém.
Aos outros deixou-os sozinhos, também eles a chorar fazendo de conta que riam. Rindo a querer chorar. A morrer de tanto chorar. O homem partiu olhando o vento, olhando para sempre para o vento...partiu sozinho porque o amor dos outros sempre foi um choro fingindo ser riso.
Há choros assim, parados no tempo, como se a distância entre os dois nada mais fosse do que uma repetição, à tanto tempo esperada. Há quem não chore...Há quem chore por todos aqueles que não choraram, e há aqueles que morrem desde o último dia que choraram até ao de hoje, que se parece exactamente com o anterior...não há distância nenhuma entre eles, nem mesmo o tempo...nem mesmo as lágrimas que são as mesmas. Há quem não veja, porque se ri!Há quem não veja...
É por isto que vou deixar de acreditar.
E vou olhar o vento...chamem-me louca, mas vou sozinha ver o vento para um lugar que seja meu e o resto que se foda.
Sim porque o homem do vento também dizia palavrões...os outros claro não entendiam...e nem vale a pena explicar porque.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Pele seca





Já passará mais de um mês desde o meu último 'post'. Faltam-me palavras ou vontade. Hoje, por força do sono ou pelo apelo psicadélico da música que vou ouvindo, empurrei-me para aqui.
Da janela avista-se a rotunda da Boavista, o colosso do monumento aos Heróis da Guerra Peninsular. Vêem-se pessoas, passos lentes, um sol de avançado fim de tarde...folhas caídas. Castanhas, vermelhas, amarelecidas. Votadas ao abandono. Não há vento que as abrace, só a miséria de quem as cerca. O Outono é uma estação presa. Encarcerada entre o frio seco que recebe as manhãs e umas quaisqueres gotas de chuva perdidas.

Olho as mãos. A pele seca e as pregas de pele bem expostas perante um toque rígido. Há dias em que imagino esta mesma pele num avanço temporal de 30 anos. Imagino só, porque o meu toque não o consigo sentir. É, no fundo, a magia das sensações. Sente-se quanto tem que ser. As projecções de desenvolvimento económico na UE para os próximos 20 anos pouco interessam à minha pele. Ela não se abre a estudos analíticos, entrega-se ao tempo. Um tempo que se joga no ritmo compassado de quem envolve a rotunda. As folhas desprendem-se do arvoredo. Pelo olhar, quantos dos que passeiam já não se desprenderam da própria pele?

sábado, novembro 10, 2007


"Sometimes, though not often, he had dreams, and they were more painful than the dreams of other boys. For hours he could not be separated from these dreams, though he wailed piteously in them. They had to do, I think, with the riddle of his existence. [...] He had one of his dreams that night, and cried in his sleep for a long time, and Wendy held him tight."


J.M. Barrie, Peter Pan, XIII; XV.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Henri Matisse

segunda-feira, outubro 01, 2007

Túneis


19h19...e partiu...vagarosamente, como quem se despede em 'slow motion'. De repente, num fim de tarde adormecido, surge aquele pôr-do-sol. Acorda-se de imediato, na esperança de que aquele momento se preserve. O maquinista, de olhar desajustado, acelera. Olho para a frente, tento perscrutar os últimos feixes de luz que vão ficando para trás. Tarde demais. Impõe-se o casario, o arvoredo em catadupa e a negritude de um qualquer túnel que afoga a luz do sol e me coloca no centro do mundo. Olhar perdido preso ao vidro. Agora só um rosto conhecido, aparentemente o meu.
Foi assim, por entre uma passagem fugaz, que recordo o mais belo pôr-do-sol que vi. Vermelho intenso que pintou o céu, como sangue derramado que corre num qualquer beco de esquina em horário tardio. Uma intensidade que me pintou o rosto e avivou o olhar cansado. Desejava poder eternizar o momento numa simples imagem. Nada.

No dia seguinte voltei a procurar a luz, a passagem pelo rio revelou-se muito mais cinzenta, luz dissipada, sem olhar para preencher.

Há dias assim, em que nos arrepiamos. Pegámos na máquina e tentámos voltar a encontrá-los. Nada. Fica a desolação. Há sempre momentos em que temos tudo, outros em que a magia nos foge. Tentam-se guardar os reflexos de brilho da primeira vez, mas, sempre que o comboio cruza as duas margens, e é o cinzento que se revela, há algo que se perde. O brilho no olhar e a vontade estúpida de que o túnel frio não nos invada mais uma vez.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Amor é...


As paixões têm destas coisas...apanham-nos de surpresa. Como foi o caso destes anjinhos perdidos num 'stand' entregue a crucifixos.

quinta-feira, setembro 20, 2007

...a morte saiu à rua num dia assim...

quarta-feira, setembro 05, 2007

A morte é um lugar estranho

La Pau, Barcelona,
06:48, 14/08/2007

Mata-me! Seja qual for a língua, a morte assusta turistas e, fundamentalmente, suicidas.
Numa noite perdida em Barcelona dei de caras com o desespero de um filho que perde a mãe, encontrei sotaques familiares com acento do sul, falei espanhol, troquei o inglês pelo português e apanhei o autocarro de serviço especial até aqui.
Mais do que as cidades, as pessoas que as compõem são estranhas . De um lado um grupo de suecas de mini-saia e Estrela Damm na mão, ao meu lado um paquistanês. Urrava mais do que chorava. Saca-rolhas apontado ao coração. Algures na avenida central, presa à confusão de início de noite na Praça Catalunha e aos semáforos intermitentes, deveria existir mais que desolação. Nada.
Quis arrancar-lhe o saca-rolhas, como quem lava a própria consciência. Ele correu atrás de mim. Abraçou-me e levou-o. Fiquei só no autocarro. Sem garantias, sem a certeza do caminho que seguia e sem ideia do que seria do desespero daquele homem, cujo nome se perdeu entre a letargia de um espanhol mal soletrado. Para um turista tudo são recordações, para um homem longe da mãe que morre lentamente duvido que tudo se resuma a meras alucinações. Pelo caminho até à Gràcia pensei no saca-rolhas e nos subterfúgios de um homem morto há muito pela distância dos afectos e pelo olhar triste.

Passaram outros olhares, vozes familiares e mais uma cerveja com sotaque do Magrebe.
Reencontrei o 'punk' italiano do dia anterior numa roda de gente. Esqueci o paquistanês. Ali o desejo era outro...mais vivo e potenciado pela cerveja e pela proximidade dos corpos.
Entre o crepe verde do posto de conveniência e o 'croissant' em La Pau, Barcelona foge. Ficaram os sorrisos, as cervejas partilhadas e as palavras daqueles que me cercavam. As impressões persistem, o desejo de partir nem sempre. Mas, presa a um autocarro em auto-gestão pela cidade, reacende-se a vontade de partir rumo a um qualquer avião com destino a qualquer outra coisa que me faça voltar a querer. Haverá outros desejos que nunca passarão de palavras vãs, presas ao vento que revira os fins de tarde catalães.
Ele ficou com o saca-rolhas e com a morte como desejo. Não pude dilacerar-lhe o coração por ser portuguesa, haveria a necessidade de um espanhol. Na hora da morte o mundo é sempre mais pequeno.

P.S.: Para último dia assinala-se a surpresa de encontrar mil-folhas na única confeitaria aberta àquela hora da manhã na Avenida Guipúscoa.

quarta-feira, agosto 29, 2007

BIRD FLU - M.I.A.



Quero dançar!

(De)mais fragmentos



O encontro com o Parc Güell, com a vista sobre a cidade deitada, numa espécie de sonho para dias perdidos.

terça-feira, agosto 28, 2007

Mais fragmentos



Mais uma performance de rua. Pessoas entre o vestido vermelho e a veemência de quem desliza movido pelos sons.

Barcelona em 5 dias (cont.)

















Fragmentos



Barcelona veste-se de sons e movimentos em pequenos retratos animados.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Barcelona em 5 dias










No primeiro dia após as férias sabe bem reviver outras paragens.

Barcelona mostra-se em imagens e nos sentimentos que desperta. Pelas pessoas, pelo colosso e pelo acento italiano em todas as esquinas, Barcelona mostra-se através da objectiva de quem se perdeu entre o turbilhão humano e o apelo onírico de uma cidade que respira uma magia especial. Ficam os desvarios de Gaudí e os gestos de uma cidade entregue à vida.

Prometem-se outros relatos (à mesa de uma confeitaria em La Pau) para os próximos dias.

domingo, agosto 12, 2007

Jesca Hoop - Big Fish

Centenário do nascimento de Miguel Torga












Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga é o nome literário de Adolfo Rocha, nascido em S. Martinho de Anta a 12 de Agosto do ano de 1907.

Video Promocional Pé na Terra

A revelação que vale mesmo a pena


Cristina Castro – voz, acordeão, percussões.
Ricardo Coelho – sopros, gaita-de-foles galega e transmontana, gralha, percussões.
Hélio Ribeiro – guitarra, bandolim, voz e percussões.
Adérito Pinto – baixo e percussões.
Tiago Soares – bateria tradicional, adufe, tar, bilha, sansula, darbuka, percussões variadas.

Telf: 962 568 471
Email: contacto@penaterra.com

sexta-feira, agosto 10, 2007

fotografia de Pedro Estorninho
...espera-me a paz do campo que tanta falta me faz. Acordar ao meio-dia, depois de devorar as noites quentes no cimo da serra. Caminhar sozinha com o infinito como horizonte. Apanhar banhos de sol e chapinar na água com as meninas da aldeia e conversar sobre nada com a Beatriz, jogar football ao fim da tarde como uma maria rapaz, jogar ás escondidas como se fosse criança! Passar horas sem ouvir nada a não ser o calor e o imenso silêncio que por lá faz.
Até 4 de Setembro estarei aqui! Longe do mundo, longe do tempo, longe da vida...tão perto de mim, somente tão perto de mim, tão perto da minha alma. De tão perto que quase posso ouvir o som do meu descanso.
Boas férias!