
quinta-feira, março 13, 2008

quarta-feira, março 05, 2008
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
domingo, fevereiro 17, 2008
quinta-feira, fevereiro 14, 2008

O meu pai tem 64 anos, está casado com a minha mãe, já nem eu sei desde quando.
Hoje quando acordei olhei pela janela e vi o meu pai a remexer no jardim, de cócoras, a andar de um lado para o outro, pensei que seria mais uma das mudanças radicais que em breve tomaria a cabo.
De repente entra em casa com um pequeno ramo de violetas, com folhinhas verdes a envolver as flores que cuidadosamente amarrou com um fio e deixou num frasquinho no quarto deles. Quando voltou do quarto, sem eu lhe perguntar nada disse-me baixinho: " São para a minha namorada e hoje vou ter direito a um beijinho".
Vou chorar até o amanhar chegar, chorar todos os dias, chorar até que o tempo se esqueça que eu tenho que chorar.
Ilustração de Rébecca Dautremer
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Lamb-Gabriel
Sim...é coisa de rapariga, mas lembro-me de um amor que nasceu assim.Foi tão bonito vê-las!Eu acreditei outra vez.anamartafortuna
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Algemas

Há projectos que nascem com o prazo de validade já expirado. Não deixam de alimentar os dias mais solitários, mas tornam-se meras companhias sem nunca serem verdadeiros companheiros de viagem.Trespassando as amarguras do que poderia ter sido e de tudo aquilo que já foi e nunca mais voltará a ser, há viagens que merecem ser feitas e um monte de projectos que têm, pelo menos, o direito de habitar o imaginário de noites perdidas.
Há dias falaram-me do medo. Do terror de ser deixado, de ficar para trás com sonhos por cumprir. Há o medo de perder e também um outro. Vencer, de facto. Assusta pensar que somos capazes de ultrapassar o aconchego inóspito das noites e viver. O medo refreia as emoções. O medo faz-me sentir saudades tuas todas as noites e ceifa-me, de forma abrupta e impiedosa, qualquer vontade.
O dia acordou solarengo, à laia de uma ligeira dor de cabeça. Haverá feridas que perduram, sonhos que o deixam de ser. Fica o sol e, em dias de calor, surge o desejo de ter o mundo. E há mundos que nunca se alcançam quando se permanece algemado a uma secretária.
(Autor da foto: Pedro Moreira @olhares)
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
A ponte
Atravessei a cidade do Porto na única ponte que me fecha o passado com tecidos transparentes…Sozinha. Já não havia imagens deste tempo, não poderia sequer ter existido alguma imagem dentro de mim para além dessas, dentro das minhas mãos, dentro dos meus olhos.
Guardo a exaustão no coração e no corpo transpiro lágrimas que me arrefecem as noites.
Arrasto-me por dentro…por dentro das imagens, por dentro da noite que não amanhece, por dentro das palavras que não tenho, por dentro das respostas que não oiço. Por dentro!
Por dentro morro com a cidade que vai ficando atrás de mim com as cortinas transparentes a assombrar o meu caminho.
Faz frio dentro das minhas mãos, no sangue que corre nas veias e vai chegando frio aos olhos.
Vou triste em frente do asfalto da única ponte que me fecha o passado com tecidos transparentes…triste. E ninguém me vem esperar com honestidade do outro lado. Ninguém me vem salvar da mentira, nem ninguém me tirará o peso das respostas que não oiço. Dói alguma coisa dentro de mim, não é um órgão, um membro, nem uma parte do corpo, dói-me em todo o lado onde se lembra. Toda a parte que se lembra dói-me como a solidão da morte.
Abro a cama…fecho os olhos e durante muito tempo antes de os fechar vai sempre chover por dentro dos meus olhos e eu não me vou querer lembrar porque. Apenas da imagem da cidade a ficar atrás de mim com os seus tecidos transparentes na única ponte que me fecha o passado com uma fronteira que não existe.
Morreu Luís Ralha
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!terça-feira, janeiro 08, 2008
domingo, janeiro 06, 2008
Em toda a cidade que dorme e respira, eu luto com a dispneia e escrevo. Em toda a cidade que repousa e se esquece, na Avenida dos Combatentes eu debato-me contra a morte e escrevo diante da minha pequena tribo que dorme. A tribo dorme: a Lina mostra um punho fechado (ideias avançadas terá a mocinha?); o rapaz está de costas e quase destapado (parece um Cupido cansado; na larga queixada, porém, uma expressão terrena, máscula - a cara camponesa e rude do avô Matias); o bebé ressona ou balbucia qualquer uma esperança que só ele entende. Ela, a Irene, a minha pequena deusa de tranças loiras, encosta-se a mim e calada cálida repousa cansada. Sou um deus grego ! Fauno serôdio, Pan sem flauta, Orfeu decaído de quantas desilusões e frios cinismos, um Vulcano cornudo às ordens de Vocências, do meu espaldar senhorial contemplo o rebanho provisório que inventei, patriarca e profeta do meu próprio futuro. E receio, oh como receio, que os deuses a valer me castiguem! E desejo, oh como desejo, que chegue a manhã e eu esteja respirando ainda pelos foles dos pulmões que o enfizema vai dilatando minguando a elasticidade; que o meu coração eia! sus! bata ainda quando, num quintal que não sei, perto, o galo canta.Comunidade de luiz Pacheco
"A verdade, meu amor, é que é mentira.É mentira a saudade que não sinto, a lágrima que não choro. É mentira o querer não ter-te onde nunca vais deixar de estar. É mentira. E essa é que é a verdade"
segunda-feira, dezembro 31, 2007
sexta-feira, dezembro 28, 2007
quarta-feira, dezembro 19, 2007
A escola no centro do debate
Numa altura de festa e projectos renovados, deixo aqui um projecto para o país.
quinta-feira, novembro 22, 2007
Deixarei os jardins a brilhar com os seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais.
Deixarei as constelações panorâmicas destes dias internos.
Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas.E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.
Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados.
É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.
E o leite faz-se tenro durante
os eclipses.
Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne,
asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,esta rede de jardins diante dos incêndios.
E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.
Herberto Helder
terça-feira, novembro 20, 2007

Em dias de chuva...apresenta-se a solidão. No filme ela também se exibe nos trejeitos de quem não quis perceber que se os pingos de chuva trémula não podem ser simples, os homens também não. Em homenagem à simplicidade fica a solidão.
In fear every day,m every evening,
He calls her aloud from above,
Carefully watched for a reason,
Painstaking devotion and love,
Surrendered to self preservation,
From others who care for themselves.
A blindness that touches perfection,
But hurts just like anything else.
Isolation, isolation, isolation.
Mother I tried please believe me,
I'm doing the best that I can.
I'm ashamed of the things I've been put through,
I'm ashamed of the person I am.
Isolation, isolation, isolation.
But if you could just see the beauty,
These things I could never describe,
These pleasures a wayward distraction,
This is my one lucky prize.
Isolation, isolation, isolation, isolation, isolation.
(Joy Division, Closer)
quinta-feira, novembro 15, 2007
O Choro
Aos outros deixou-os sozinhos, também eles a chorar fazendo de conta que riam. Rindo a querer chorar. A morrer de tanto chorar. O homem partiu olhando o vento, olhando para sempre para o vento...partiu sozinho porque o amor dos outros sempre foi um choro fingindo ser riso.
Há choros assim, parados no tempo, como se a distância entre os dois nada mais fosse do que uma repetição, à tanto tempo esperada. Há quem não chore...Há quem chore por todos aqueles que não choraram, e há aqueles que morrem desde o último dia que choraram até ao de hoje, que se parece exactamente com o anterior...não há distância nenhuma entre eles, nem mesmo o tempo...nem mesmo as lágrimas que são as mesmas. Há quem não veja, porque se ri!Há quem não veja...
É por isto que vou deixar de acreditar.
E vou olhar o vento...chamem-me louca, mas vou sozinha ver o vento para um lugar que seja meu e o resto que se foda.
Sim porque o homem do vento também dizia palavrões...os outros claro não entendiam...e nem vale a pena explicar porque.
quarta-feira, novembro 14, 2007
Pele seca
Já passará mais de um mês desde o meu último 'post'. Faltam-me palavras ou vontade. Hoje, por força do sono ou pelo apelo psicadélico da música que vou ouvindo, empurrei-me para aqui.
Da janela avista-se a rotunda da Boavista, o colosso do monumento aos Heróis da Guerra Peninsular. Vêem-se pessoas, passos lentes, um sol de avançado fim de tarde...folhas caídas. Castanhas, vermelhas, amarelecidas. Votadas ao abandono. Não há vento que as abrace, só a miséria de quem as cerca. O Outono é uma estação presa. Encarcerada entre o frio seco que recebe as manhãs e umas quaisqueres gotas de chuva perdidas.
Olho as mãos. A pele seca e as pregas de pele bem expostas perante um toque rígido. Há dias em que imagino esta mesma pele num avanço temporal de 30 anos. Imagino só, porque o meu toque não o consigo sentir. É, no fundo, a magia das sensações. Sente-se quanto tem que ser. As projecções de desenvolvimento económico na UE para os próximos 20 anos pouco interessam à minha pele. Ela não se abre a estudos analíticos, entrega-se ao tempo. Um tempo que se joga no ritmo compassado de quem envolve a rotunda. As folhas desprendem-se do arvoredo. Pelo olhar, quantos dos que passeiam já não se desprenderam da própria pele?
sábado, novembro 10, 2007

J.M. Barrie, Peter Pan, XIII; XV.
sexta-feira, novembro 09, 2007
segunda-feira, novembro 05, 2007
segunda-feira, outubro 01, 2007
Túneis
19h19...e partiu...vagarosamente, como quem se despede em 'slow motion'. De repente, num fim de tarde adormecido, surge aquele pôr-do-sol. Acorda-se de imediato, na esperança de que aquele momento se preserve. O maquinista, de olhar desajustado, acelera. Olho para a frente, tento perscrutar os últimos feixes de luz que vão ficando para trás. Tarde demais. Impõe-se o casario, o arvoredo em catadupa e a negritude de um qualquer túnel que afoga a luz do sol e me coloca no centro do mundo. Olhar perdido preso ao vidro. Agora só um rosto conhecido, aparentemente o meu.
Foi assim, por entre uma passagem fugaz, que recordo o mais belo pôr-do-sol que vi. Vermelho intenso que pintou o céu, como sangue derramado que corre num qualquer beco de esquina em horário tardio. Uma intensidade que me pintou o rosto e avivou o olhar cansado. Desejava poder eternizar o momento numa simples imagem. Nada.
No dia seguinte voltei a procurar a luz, a passagem pelo rio revelou-se muito mais cinzenta, luz dissipada, sem olhar para preencher.
Há dias assim, em que nos arrepiamos. Pegámos na máquina e tentámos voltar a encontrá-los. Nada. Fica a desolação. Há sempre momentos em que temos tudo, outros em que a magia nos foge. Tentam-se guardar os reflexos de brilho da primeira vez, mas, sempre que o comboio cruza as duas margens, e é o cinzento que se revela, há algo que se perde. O brilho no olhar e a vontade estúpida de que o túnel frio não nos invada mais uma vez.
segunda-feira, setembro 24, 2007
Amor é...
quarta-feira, setembro 05, 2007
A morte é um lugar estranho
06:48, 14/08/2007
Mata-me! Seja qual for a língua, a morte assusta turistas e, fundamentalmente, suicidas.
Numa noite perdida em Barcelona dei de caras com o desespero de um filho que perde a mãe, encontrei sotaques familiares com acento do sul, falei espanhol, troquei o inglês pelo português e apanhei o autocarro de serviço especial até aqui.
Mais do que as cidades, as pessoas que as compõem são estranhas . De um lado um grupo de suecas de mini-saia e Estrela Damm na mão, ao meu lado um paquistanês. Urrava mais do que chorava. Saca-rolhas apontado ao coração. Algures na avenida central, presa à confusão de início de noite na Praça Catalunha e aos semáforos intermitentes, deveria existir mais que desolação. Nada.
Quis arrancar-lhe o saca-rolhas, como quem lava a própria consciência. Ele correu atrás de mim. Abraçou-me e levou-o. Fiquei só no autocarro. Sem garantias, sem a certeza do caminho que seguia e sem ideia do que seria do desespero daquele homem, cujo nome se perdeu entre a letargia de um espanhol mal soletrado. Para um turista tudo são recordações, para um homem longe da mãe que morre lentamente duvido que tudo se resuma a meras alucinações. Pelo caminho até à Gràcia pensei no saca-rolhas e nos subterfúgios de um homem morto há muito pela distância dos afectos e pelo olhar triste.
Passaram outros olhares, vozes familiares e mais uma cerveja com sotaque do Magrebe.
Reencontrei o 'punk' italiano do dia anterior numa roda de gente. Esqueci o paquistanês. Ali o desejo era outro...mais vivo e potenciado pela cerveja e pela proximidade dos corpos.
Entre o crepe verde do posto de conveniência e o 'croissant' em La Pau, Barcelona foge. Ficaram os sorrisos, as cervejas partilhadas e as palavras daqueles que me cercavam. As impressões persistem, o desejo de partir nem sempre. Mas, presa a um autocarro em auto-gestão pela cidade, reacende-se a vontade de partir rumo a um qualquer avião com destino a qualquer outra coisa que me faça voltar a querer. Haverá outros desejos que nunca passarão de palavras vãs, presas ao vento que revira os fins de tarde catalães.
Ele ficou com o saca-rolhas e com a morte como desejo. Não pude dilacerar-lhe o coração por ser portuguesa, haveria a necessidade de um espanhol. Na hora da morte o mundo é sempre mais pequeno.
P.S.: Para último dia assinala-se a surpresa de encontrar mil-folhas na única confeitaria aberta àquela hora da manhã na Avenida Guipúscoa.
quarta-feira, agosto 29, 2007
(De)mais fragmentos
O encontro com o Parc Güell, com a vista sobre a cidade deitada, numa espécie de sonho para dias perdidos.
terça-feira, agosto 28, 2007
Mais fragmentos
Mais uma performance de rua. Pessoas entre o vestido vermelho e a veemência de quem desliza movido pelos sons.
segunda-feira, agosto 27, 2007
Barcelona em 5 dias
No primeiro dia após as férias sabe bem reviver outras paragens.
Barcelona mostra-se em imagens e nos sentimentos que desperta. Pelas pessoas, pelo colosso e pelo acento italiano em todas as esquinas, Barcelona mostra-se através da objectiva de quem se perdeu entre o turbilhão humano e o apelo onírico de uma cidade que respira uma magia especial. Ficam os desvarios de Gaudí e os gestos de uma cidade entregue à vida.
Prometem-se outros relatos (à mesa de uma confeitaria em La Pau) para os próximos dias.
domingo, agosto 12, 2007
Centenário do nascimento de Miguel Torga
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga é o nome literário de Adolfo Rocha, nascido em S. Martinho de Anta a 12 de Agosto do ano de 1907.
A revelação que vale mesmo a pena
Cristina Castro – voz, acordeão, percussões.
Ricardo Coelho – sopros, gaita-de-foles galega e transmontana, gralha, percussões.
Hélio Ribeiro – guitarra, bandolim, voz e percussões.
Adérito Pinto – baixo e percussões.
Tiago Soares – bateria tradicional, adufe, tar, bilha, sansula, darbuka, percussões variadas.
Telf: 962 568 471
Email: contacto@penaterra.com
sexta-feira, agosto 10, 2007
domingo, julho 29, 2007
"...E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis
À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras,
o nosso dever falar."
Ao longo da muralha
quarta-feira, julho 18, 2007
sábado, julho 14, 2007
Rabih e Ricardo

Há surpresa. Pela forma como me arrepiei ontem com aquela voz, com a entrega de Jarrod Cagwin, com as reverberações do alaúde de Rabih. Sorri mais do que seria de esperar, assustei-me e gostei. Entreguei-me e soube bem. À surpresa juntaram-se porventura os copos à hora do lanche, os cigarros deixados pelo caminho e aquela amargura de teres regressado novamente.
Voltas sempre quando a tua figura parece diluída. Eras recordações, nada mais. Ontem voltaste a ser o olhar fugidio, hoje o discurso desconexo. Tudo tão teu, por vezes tão nosso.
Foste ver o mar, eu devo ir agora apanhar o pôr-do-sol...ao rio.
quarta-feira, julho 11, 2007
Rascunho
O instantâneo assemelha-se ao rascunho. O molde eficaz, o imediatismo, a facilidade das soluções... Mas, tal como o rascunho, não passa de um projecto imediato na busca de melhores dias.
Hoje olho para mim e vejo um rascunho, um amontoado de projectos em lista de espera. As viagens que não fiz, todos aqueles que não amei, o que deveria ter sido nos dias que nunca aconteceram. As indefinições são perfeitas para quem tem certezas, trágicas para aqueles que esperam.
O sol podia ser uma boa desculpa para ser feliz, não fosse a ameaça dos dias de chuva. As estações sempre empacotaram bem o mundo. Há dias de praia, o refúgio da lareira, as folhas presas na relva, as flores que brotam da terra. Quando os dias de praia não chegam e as ameixoeiras dão fruto em Fevereiro há esperança. O desejo de escapar aos determinismos, a vontade de deixar para trás o que já não nos preenche sem que a solidão nos aprisione. Às vezes presa, outras livre demais para pensar no que já foi, a vida surge. Há dias em que apetece abraçá-la, outros em que só dois braços fariam a diferença.
Vou para casa com as mesmas certezas com que de lá sai esta manhã. Que a vida está cheia de paragens até ao destino final.






























